Mães de alunos de creches e da educação infantil de Barretos
(a 426 km de São Paulo) iniciaram um movimento contra a decisão da prefeitura
de substituir parte dos professores por cuidadores e auxiliares. A situação se
agravou quando, na lista de aprovados para a função, apareceram nomes de
homens.Os novos funcionários, que foram aprovados em concurso mas não têm
ensino superior, começam a trabalhar nesta segunda-feira (16).Para o secretário
municipal da Educação, Aparecido Cipriano, os homens estão sendo alvo de
preconceito Cuidadores aprovados em concurso da Secretaria da Educação de
Barretos fazem curso
Os cuidadores irão atuar com as crianças com deficiência,
para a inclusão. Dentre outras atribuições, serão responsáveis por garantir a
higiene e a alimentação deles nas escolas, mas não a parte pedagógica.Já os
auxiliares atuarão em creches dando suporte a docentes, como na organização de
brinquedos e troca. No total, a prefeitura convocou 100 aprovados no concurso,
que irão receber R$ 1.079,87 por 40 horas semanais.
O valor é inferior ao que é pago aos professores com
formação, de R$ 1.917. "A falta de formação em educação é um
absurdo", disse a pedagoga Maria Amélia Távora, 40, mãe de uma aluna de
oito anos.Ela e um grupo de outras 14 mães procuraram a Defensoria Pública.
Foram orientadas a elaborar um abaixo-assinado, além de identificarem possíveis
regressões no desenvolvimento das crianças.A massoterapeuta Maristela
Rodrigues, 43, disse que teme que o trabalho que já vem sendo desenvolvido com
o filho, de três anos, seja prejudicado a partir de segunda. "Colocar
homem para também fazer a higienização é complicado", afirmou."Não
estou dizendo que vão abusar da minha filha, mas é uma situação
desagradável", disse a manicure Cássia Martins, 25, mãe de uma menina de
dois anos.
DIVERSIDADE
Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da PUC-SP,
defende os homens nas creches, pois a criança deve aprender desde cedo a lidar
com os dois gêneros.Para ela, porém, é necessário que os profissionais tenham
formação em educação para atuar. "Sem uma pessoa preparada, as crianças
não terão progresso", afirmou.
Somão Ximenes, professor de políticas públicas da UFABC,
afirmou que o concurso pode ser questionado na Justiça. "A legislação
prevê que haja uma qualificação específica, não um curso de formação de alguns
dias", declarou Ximenes.
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