domingo, 15 de março de 2015

Homens em creches causam revolta dos pais no interior de SP

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Mães de alunos de creches e da educação infantil de Barretos (a 426 km de São Paulo) iniciaram um movimento contra a decisão da prefeitura de substituir parte dos professores por cuidadores e auxiliares. A situação se agravou quando, na lista de aprovados para a função, apareceram nomes de homens.Os novos funcionários, que foram aprovados em concurso mas não têm ensino superior, começam a trabalhar nesta segunda-feira (16).Para o secretário municipal da Educação, Aparecido Cipriano, os homens estão sendo alvo de preconceito Cuidadores aprovados em concurso da Secretaria da Educação de Barretos fazem curso
Os cuidadores irão atuar com as crianças com deficiência, para a inclusão. Dentre outras atribuições, serão responsáveis por garantir a higiene e a alimentação deles nas escolas, mas não a parte pedagógica.Já os auxiliares atuarão em creches dando suporte a docentes, como na organização de brinquedos e troca. No total, a prefeitura convocou 100 aprovados no concurso, que irão receber R$ 1.079,87 por 40 horas semanais.
O valor é inferior ao que é pago aos professores com formação, de R$ 1.917. "A falta de formação em educação é um absurdo", disse a pedagoga Maria Amélia Távora, 40, mãe de uma aluna de oito anos.Ela e um grupo de outras 14 mães procuraram a Defensoria Pública. Foram orientadas a elaborar um abaixo-assinado, além de identificarem possíveis regressões no desenvolvimento das crianças.A massoterapeuta Maristela Rodrigues, 43, disse que teme que o trabalho que já vem sendo desenvolvido com o filho, de três anos, seja prejudicado a partir de segunda. "Colocar homem para também fazer a higienização é complicado", afirmou."Não estou dizendo que vão abusar da minha filha, mas é uma situação desagradável", disse a manicure Cássia Martins, 25, mãe de uma menina de dois anos.
DIVERSIDADE
Neide Noffs, diretora da Faculdade de Educação da PUC-SP, defende os homens nas creches, pois a criança deve aprender desde cedo a lidar com os dois gêneros.Para ela, porém, é necessário que os profissionais tenham formação em educação para atuar. "Sem uma pessoa preparada, as crianças não terão progresso", afirmou.
Somão Ximenes, professor de políticas públicas da UFABC, afirmou que o concurso pode ser questionado na Justiça. "A legislação prevê que haja uma qualificação específica, não um curso de formação de alguns dias", declarou Ximenes.

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