Pesquisadores da Universidade do Texas em Austin conseguiram
bloquear o vício de um grupo de ratos em álcool e drogas utilizando um
medicamento já conhecido, geralmente indicado para o tratamento de alta pressão
arterial. Se aprovado em humanos, o tratamento seria o pioneiro com esse
propósito – ajudar a prevenir recaídas ao apagar memórias inconscientes por
trás do vício.
No experimento, ratos foram treinados para associar uma sala
branca ou preta ao uso de uma droga – uma dose de álcool ou cocaína. Em um
segundo momento, quando os ratos viciados eram induzidos a escolher qual das
salas entrar, eles quase sempre escolhiam a sala anteriormente associada ao seu
vício.Na etapa seguinte, os cientistas deram aos ratos viciados, antes de fazer
a escolha, uma alta dose de um medicamento anti-hipertensivo chamado
isradipina. Eles observaram que, após poucos dias, os ratos deixaram de mostrar
preferência por aquela sala que antes era ligada às drogas. Mais do que isso,
aquele grupo medicado com isradipina mostrou falta de preferências, levando os
pesquisadores a concluir que a memória do vício não apenas havia sido reprimida
– ela tinha desaparecido.“A isradipina apagou memórias que os levaram a
associar uma determinada sala com a cocaína ou o álcool”, disse Hitoshi
Morikawa, professor associado de neurociência na Universidade do Texas, em
comunicado.O estudo, publicado esta semana no periódico Molecular Psychiatry,
condiz com outras pesquisas que já mostraram que dependentes em recuperação
podem ter uma recaída quando inseridos em contexto que os associam ao vício –
pessoas, lugares, sons e demais fatores que despertam a memória.No entanto,
como um dos efeitos da isradipina é baixar a pressão arterial, os cientistas
analisam a possibilidade de conduzir simultaneamente um controle para que esse
índice não fique baixo demais.
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