quinta-feira, 25 de junho de 2015

Medicamento para menino de 10 anos que sofre 20 convulsões por dia fica preso na Receita

Há mais de um mês, Leila Pereira, moradora de São João de Meriti, tenta liberar na Receita Federal canabidiol para o filho Natã, de 10 anos, que sofre crises convulsivas - Fabio Rossi

Há quatro anos, Natã Pereira começou a ter convulsões. Elas foram se intensificando e chegaram a 30 por dia. O menino forte e risonho perdeu a tonicidade das pernas e das mãos. Hoje, aos 10 anos, tem o diagnóstico de epilepsia parcial contínua, cujas crises não puderam ser controladas com tratamentos convencionais. Só uma opção resolveu: o canabidiol (CBD), substância derivada da maconha, que reduziu o número de crises para cinco diárias. Mas as convulsões estão voltando, devido à falta do remédio, que está retido pela Receita Federal de São Paulo há mais de um mês.

Durante todo o ano passado, famílias cujos filhos sofrem de tipos graves de epilepsia se mobilizaram e pressionaram a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para facilitar a compra do medicamento, produzido por algumas empresas nos Estados Unidos. Como resultado, o órgão reclassificou o CBD, retirando-o da lista de substâncias proibidas para o de controladas; e ainda criou um cadastro de pacientes para agilizar a importação. Mas a saga ainda está longe do fim, já que, além do alto custo do remédio, há excesso de burocracia durante o desembaraço na importação. A liberação da mercadoria pela alfândega ocorre apenas com a presença do próprio familiar ou de um despachante no Aeroporto de Viracopos, além de sofrer tributação em alguns casos.

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