Cansada de esperar pelo poder público, a comunidade do bairro Nordeste, zona Oeste da cidade, instalou com recursos próprios um abrigo na parada de ônibus da rua Jandira. O local é o principal ponto de partida para os moradores da região com destino a zona Sul/Centro.
O abrigo anterior foi retirado há cerca de dois anos, calcula a comunidade, sob alegação de risco da estrutura e não foi mais colocado. Mesmo procurando a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana (STTU), o Conselho Comunitário do bairro alega que a resposta sempre foi a mesma: falta de recursos.
Com isso, os moradores recorreram à iniciativa privada para ajudar na construção do equipamento. “Procuramos a empresa Compal, que nos cedeu todo o material de ferragem e cobertura”, conta o presidente do Conselho Comunitário, Manoel Eduardo.
De acordo com ele, o objetivo foi gerar o mínimo de conforto aos usuários do transporte público, que já sofrem com o sistema deficitário. A construção do abrigo durou cerca de cinco dias e foi finalizada e entregue à população no último feriado, não por acaso.
“Escolhemos a data para simbolizar a independência do sol, da chuva e pela dignidade do usuário que já sofre com o sistema de transporte deficitário”, explicou.
O investimento da comunidade foi de aproximadamente R$ 2 mil, sendo R$ 1. 200 da empresa privada e o restante de contrapartida do Conselho Comunitário, que custeou a mão de obra. Gastos esses que foram aprovados pelos usuários, que reclamavam do desconforto em esperar pelo ônibus no local.
“Além de ser uma forma de sinalizar o ponto, ganhamos um abrigo contra o sol e chuva”, ressalta Fábio Marques, morador do bairro há 20 anos.
Foi com surpresa que o secretário adjunto da STTU, Clodoaldo Cabral recebeu a informação do novo abrigo. “A comunidade não nos passou essa informação”, disse. Segundo ele, uma equipe técnica irá ao local para fiscalizar a construção.
“Eles têm que vir até a secretaria para receber as informações técnicas e isso não aconteceu”, argumentou. A pasta ainda não descarta a retirada do novo abrigo. “Se tiver fora do padrão e previsto no nosso planejamento colocar um abrigo no local, será retirado”, alertou o secretário.
Como mostrou reportagem do NOVO Jornal na última quarta-feira (9), a capital tem 591 abrigos em funcionamento e aproximadamente 600 precisando de reforma ou sequer existem.
A Prefeitura anunciou a reforma de 51, ao custo de R$ 184 mil, com uma média de R$ 3.607 cada. A maior parte na zona Norte. Em 2015, já foram instalados 10 novos abrigos, separados por região. Cada um custou em torno de R$ 15 mil. Os números são da própria Secretária de Mobilidade.
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