
Segundo uma estimativa da Organização Mundial da Saúde¹, 883 mil pessoas
se matam no mundo a cada ano. É mais gente do que todos os mortos em guerras,
vítimas de homicídios e desastres naturais - coisas que, somadas, tiram 669 mil
vidas por ano. E um novo estudo indica que o ritmo dos suicídios está se
acelerando. A Universidade de Oxford² estudou os efeitos da crise econômica
global, que começou em 2008, sobre as taxas de suicídio nos EUA, no Canadá e na
Europa. Em todos os casos, elas apresentaram crescimento: de 4,8%, 4,5% e 6,5%,
respectivamente. Os suicídios no mundo já vinham aumentando (o número global de
casos cresceu 60% desde a década de 1970), mas agora assumiram um ritmo mais
intenso.
A crise econômica não é o único fator envolvido. Em 2010, pela primeira
vez na história, a maioria da humanidade passou a viver em cidades - onde há
mais estresse e mais pressão para ser bem-sucedido. Ao mesmo tempo, as pessoas
nunca estiveram tão sós: segundo um estudo feito nos EUA, 40% dos adultos se
consideram solitários (o dobro da década de 1980). E isso pode estar
impulsionando a depressão e as tentativas de tirar a própria vida. "Quanto
maiores os laços sociais em uma cultura, menores as taxas de suicídio",
afirma o psiquiatra Humberto Corrêa, especializado em suicídio.
A família e os amigos nem sempre percebem que a pessoa está pensando em
se matar. Mas uma nova técnica³ promete apontar o risco de suicídio com
antecedência, por meio de um simples exame de sangue - que mede os níveis de
dois genes relacionados à intenção de se matar. O exame foi criado para uso
militar e ainda está em fase de testes.
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