segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Indigentes de São Paulo são enterrados nus e em caixões abertos

Foto divulgada na internet mostra caixões abertos antes de enterroReprodução/facebook.com/contraogenocidiodopovopreto
Ministério Público aponta também que covas têm apenas 70 cm; OMS recomenda 1,5 m
É na última quadra, no fim da colina do cemitério Dom Bosco, em São Paulo, que estão enterrados os “indigentes” da maior cidade brasileira. Seus corpos chegam nus e em caixões de compensado que não são lacrados. Algumas dessas caixas de madeira sequer possuem tampa, atraindo curiosos aos enterros, que acontecem quase diariamente. Ali os cadáveres ganham uma identificação no livro de registros, uma estaca com um número e uma cova rasa.
Chamá-los de “indigentes” não passa de simplificação, já que boa parte deles possui documento de identidade, mas teve o azar de morrer longe das famílias, sem o conhecimento delas.
Entre junho de 2014 e junho de 2015, São Paulo enterrou 791 pessoas em valas para “indigentes”, de acordo com uma lista criada há um ano pelo serviço funerário da prefeitura. Desse total, 422 são os chamados “desconhecidos”, que são as pessoas encontradas mortas sem documentos. Os 369 restantes possuem nome, RG e endereço, mas não tiveram as famílias contatadas pelo poder público (veja no infográfico abaixo o perfil dessas pessoas).
A responsabilidade para isso seria do SVOC (Serviço de Verificação de Óbitos da Capital), órgão vinculado à USP, além dos sete IMLs (Instituto Médico Legal) da cidade, ligados à Secretaria de Estado da Segurança Pública. São esses dois órgãos que encaminham os cadáveres para a prefeitura realizar os enterros. Nenhum deles, no entanto, presta o serviço de encontrar familiares das pessoas identificadas.

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