segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Às vésperas da eleição nos EUA, sósia de Obama visita pontos turísticos do Rio em clima de despedida


CI Rio de Janeiro (RJ) 01/11/2016 O motorista Rinaldo Gaudêncio, sósia carioca do presidente dos Estados Unidos. Foto: Roberto Moreyra / EXTRA




Rinaldo Gaudêncio Américo, de 44 anos, sente um aperto no peito ao pensar no fim do mandato de Barack Obama. Amanhã, quando os americanos forem às urnas para decidir a sucessão da Presidência dos Estados Unidos, ele estará sentado no sofá de casa, em Santíssimo, na Zona Oeste, lembrando de tudo o que viveu nos últimos oito anos. Em 2008, quando decidiu, por brincadeira, posar como sósia do então candidato Obama, o motorista carioca não imaginava onde aquilo o levaria: deu entrevistas para jornais do mundo todo, foi recebido pelo presidente Lula, viajou a trabalho para o Canadá e foi aplaudido de pé pela plateia lotada do Teatro Municipal do Rio.

— São coisas que eu nunca sonhei fazer. De repente, passei a ter que conciliar o trabalho de motorista com uma agenda de artista. Ainda hoje, em todos os lugares a que vou, só me chamam de Obama, e eu respondo com o bordão dele: “Yes we can” — divertiu-se Rinaldo, impostando a voz para pronunciar as únicas três palavras que sabe falar em inglês.
A convite do EXTRA, o Obama brasileiro fez um passeio de despedida pelos pontos turísticos da cidade. Com a bandeira americana na mão e um sorriso no rosto, foi assediado por turistas durante o passeio ao Cristo Redentor, onde o líder americano esteve em 2011.
Com a bandeirinha americana em punho, o sósia chamou atenção no Parque Madureira
Com a bandeirinha americana em punho, o sósia chamou atenção no Parque Madureira Foto: Roberto Moreyra / Agência O Globo
— Nunca imaginei chegar tão perto dele! Espero que Michelle Obama não fique com ciúme — brincou a sul-africana Karabo Bokamoso, de 28 anos, ao tirar uma foto com Rinaldo.
No Piscinão de Ramos, ele aproveitou para bebericar uma caipirinha.
— Esse Obama é brasileiro mesmo! — brincou um banhista.
Um grupo de senhoras aproveitou a chegada do sósia à Orla de Copacabana para elogiar os feitos do presidente americano e criticar a popularidade de Donald Trump.
— Você não pode deixar ele vencer! — exaltou-se Lourdes de Nazaré, de 72 anos.
Até no Parque Madureira ele chamou a atenção. Enquanto posava para fotos, três garotos se aproximaram do sósia, cochichando entre si. Mas bastou eles ouvirem Rinaldo falar português para se decepcionarem.
— Achei que fosse o Obama mesmo... — desabafou um deles.
Para Rinaldo, tudo é diversão.
— Quando estou no personagem, sinto o carinho que o povo tem por ele — disse.
Rinaldo cativou os cariocas com divertidas aparições. Ele ficou conhecido por assistir aos jogos do Flamengo caracterizado como Barack Obama, sempre acompanhado de dois seguranças da CIA, o serviço de inteligência americano.
No carnaval de 2010, o Obama brasileiro surpreendeu ao desfilar com uma sunga pintada com a bandeira americana no Cordão da Bola Preta.
— Fez tanto sucesso, que no mesmo ano fui convidado para desfilar num carnaval no Canadá — contou.
Quando o verdadeiro Obama esteve no Rio, em 2011, o motorista se desdobrou para tentar encontrá-lo. Compareceu a agendas do líder, mas não teve a oportunidade de chegar perto dele. A última cartada foi participar do evento no qual Obama fez um discurso no Teatro Municipal. Em cima da hora, Rinaldo conseguiu três ingressos para a recepção, um para ele e dois para seus seguranças.
— Quando entrei no teatro, todos se levantaram e me aplaudiram, entusiasmados. Meus amigos começaram a me ligar para falar que eu estava passando ao vivo na TV — relembrou ele, aos risos.
Nos oito anos em que viveu Obama, Rinaldo só não conseguiu cumprir uma promessa: obter dinheiro para comprar um terreno e construir uma casa para sua filha.
— Eu tinha vontade de fazer um comercial que me desse essa verba para realizar esse sonho, mas não tenho frustração por não ter conseguido. O que fica é meu agradecimento pelo imenso carinho que o público teve comigo — afirmou.




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